sexta-feira, 18 de abril de 2008

Discussão sobre Itaipu marca último debate eleitoral no Paraguai

18 de abril, 2008
A polêmica em torno da hidrelétrica binacional de Itaipu marcou o último debate eleitoral no Paraguai antes das eleições presidenciais deste domingo.
De acordo com os termos do Tratado de Itaipu, assinado entre Brasil e Paraguai em 1973, a energia gerada pela usina deve ser dividida igualmente entre os dois sócios.
Mas o Paraguai utiliza apenas cerca de 5% dessa energia, quantia que é suficiente para suprir 95% de sua demanda.
O excedente é vendido - a preço de custo - ao Brasil, onde 20% da energia elétrica consumida vem de Itaipu.
“Somos sócios do Brasil (em Itaipu), mas temos que rever essa sociedade, porque ela não nos atende”, afirmou a candidata governista, Blanca Ovelar, do Partido Colorado. .
Segundo Ovelar, sua proposta é diferente da que é defendida pelo ex-bispo católico Fernando Lugo, candidato da Aliança Patriótica para a Mudança (APC, na sigla em espanhol).
Lugo - que não compareceu ao debate - tem como uma das principais bandeiras de sua campanha a revisão do tratado e o aumento no preço que o Paraguai recebe pela energia que vende ao Brasil.
O presidenciável Lino Oviedo, do Unace, disse, por sua vez, que é hora de parar de reclamar do tratado de Itaipu. “Temos de ser pragmáticos. Até 2023 (quando termina o pagamento da dívida) não se pode mudar o contrato", disse Oviedo. "Então, vamos aproveitar essa energia barata que temos aqui no Paraguai, graças a Itaipu, para produzir mais soja, mais algodão (...). Para melhorar nossa economia”, disse.
Já Pedro Fadul, candidato do Patria Querida, adotou tom conciliador. "Por que agredir o Brasil por causa de Itaipu? O Brasil será nosso vizinho sempre. Não podemos mudar de endereço", afirmou.

Brasil na campanha
A discussão em torno do tratado de Itaipu não é o único assunto que coloca o Brasil em destaque nesta campanha eleitoral no Paraguai.
A forte presença de brasileiros na produção de soja e carne do Paraguai (estima-se que sejam 60% do total de produtores) é outro tema de destaque.
Outra reportagem mostrada durante o debate eleitoral afirma que 80% dos bosques do país “viraram” plantação de soja.
Uma das críticas à lavoura de soja, repetida em diferentes setores no Paraguai, é a de que não gera emprego para os paraguaios.
Na campanha eleitoral na TV, o Partido dos Trabalhadores do Paraguai pede o voto do eleitorado com a bandeira pelo fim do “imperialismo” do Brasil e dos Estados Unidos.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/04/080417_paraguaidebate_mc_ac.shtml

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