domingo, 16 de maio de 2010

Textos 3º ano

Introdução à bioética

por Fermin Roland Schramm e Marlene Braz

A Bioética é uma ética aplicada, chamada também de “ética prática”[1], que visa “dar conta” dos conflitos e controvérsias morais implicados pelas práticas no âmbito das Ciências da Vida e da Saúde do ponto de vista de algum sistema de valores (chamado também de “ética”). Como tal, ela se distingue da mera ética teórica, mais preocupada com a forma e a “cogência” (cogency) dos conceitos e dos argumentos éticos, pois, embora não possa abrir mão das questões propriamente formais (tradicionalmente estudadas pela metaética), está instada a resolver os conflitos éticos concretos. Tais conflitos surgem das interações humanas em sociedades a princípio seculares, isto é, que devem encontrar as soluções a seus conflitos de interesses e de valores sem poder recorrer, consensualmente, a princípios de autoridade transcendentes (ou externos à dinâmica do próprio imaginário social), mas tão somente “imanentes” pela negociação entre agentes morais que devem, por princípio, ser considerados cognitiva e eticamente competentes. Por isso, pode-se dizer que a bioética tem uma tríplice função, reconhecida acadêmica e socialmente: (1) descritiva, consistente em descrever e analisar os conflitos em pauta; (2) normativa com relação a tais conflitos, no duplo sentido de proscrever os comportamentos que podem ser considerados reprováveis e de prescrever aqueles considerados corretos; e (3) protetora, no sentido, bastante intuitivo, de amparar, na medida do possível, todos os envolvidos em alguma disputa de interesses e valores, priorizando, quando isso for necessário, os mais “fracos” (Schramm, F.R. 2002. Bioética para quê? Revista Camiliana da Saúde, ano 1, vol. 1, n. 2 –jul/dez de 2002 – ISSN 1677-9029, pp. 14-21). Mas a Bioética, como forma talvez especial da ética, é, antes, um ramo da Filosofia, podendo ser definida de diversos modos, de acordo com as tradições, os autores, os contextos e, talvez, os próprios objetos em exame. Algumas definições:

"Eu proponho o termo Bioética como forma de enfatizar os dois componentes mais importantes para se atingir uma nova sabedoria, que é tão desesperadamente necessária: conhecimento biológico e valores humanos.” (Van Rensselaer Potter, Bioethics. Bridge to the future. 1971)

“Bioética é o estudo sistemático das dimensões morais - incluindo visão moral, decisões, conduta e políticas - das ciências da vida e atenção à saúde, utilizando uma variedade de metodologias éticas em um cenário interdisciplinar”.(Reich WT. Encyclopedia of Bioethics. 2nd ed. New York; MacMillan, 1995: XXI).

“A bioética, da maneira como ela se apresenta hoje, não é nem um saber (mesmo que inclua aspectos cognitivos), nem uma forma particular de expertise (mesmo que inclua experiência e intervenção), nem uma deontologia (mesmo incluindo aspectos normativos). Trata-se de uma prática racional muito específica que põe em movimento, ao mesmo tempo, um saber, uma experiência e uma competência normativa, em um contexto particular do agir que é definido pelo prefixo ‘bio’. Poderíamos caracteriza-la melhor dizendo que é uma instância de juízo, mas precisando que se trata de um juízo prático, que atua em circunstâncias concretas e ao qual se atribui uma finalidade prática a través de várias formas de institucionalização. Assim, a bioética constitui uma prática de segunda ordem, que opera sobre práticas de primera ordem, em contato direto com as determinações concretas da ação no âmbito das bases biológicas da existência humana.” (Ladrière, J. 2000. Del sentido de la bioética. Acta Bioethica VI(2): 199-218, p. 201-202).

“A palavra ‘bioética’ designa um conjunto de pesquisas, de discursos e práticas, via de regra pluridisciplinares, que têm por objeto esclarecer e resolver questões éticas suscitadas pelos avanços e a aplicação das tecnociências biomédicas. (...) A rigor, a bioética não é nem uma disciplina, nem uma ciência, nem uma nova ética, pois sua prática e seu discurso se situam na interseção entre várias tecnociências (em particular, a medicina e a biologia, com suas múltiplas especializações); ciências humanas (sociologia, psicologia, politologia, psicanálise...) e disciplinas que não são propriamente ciências: a ética, para começar; o direito e, de maneira geral, a filosofia e a teologia. (...) A complexidade da bioética é, de fato, tríplice. Em primeiro lugar, está na encruzilhada entre um grande número de disciplinas. Em segundo lugar, o espaço de encontro, mais o menos conflitivo, de ideologias, morais, religiões, filosofias. Por fim, ela é um lugar de importantes embates (enjeux) para uma multidão de grupos de interesses e de poderes constitutivos da sociedade civil: associação de pacientes; corpo médico; defensores dos animais; associações paramédicas; grupos ecologistas; agro-business; industrias farmacêuticas e de tecnologias médicas; bioindustria em geral” (Hottois, G 2001. Bioéthique. G. Hottois & J-N. Missa. Nouvelle encyclopédie de bioéthique. Bruxelles: De Boeck, p. 124-126)

“A bioética é o conjunto de conceitos, argumentos e normas que valorizam e justificam eticamente os atos humanos que podem ter efeitos irreversíveis sobre os fenômenos vitais” (Kottow, M., H., 1995. Introducción a la Bioética. Chile: Editorial Universitaria, 1995: p. 53)

[1] Singer P 1994. Ética Prática. São Paulo: Martins Fontes.

http://www.ghente.org/bioetica/

Texto 3º ano

Prólogo – "Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal" – Hannah Arendt


 

Posso também imaginar muito bem que uma controvérsia autêntica poderia ter surgido do subtítulo do livro; pois quando falo da banalidade do mal, falo num nível estritamente factual, apontando um fenômeno que nos encarou de frente no julgamento. Eichmann não era nenhum lago, nenhum Macbeth e nada estaria mais distante de sua mente do que a determinação de Ricardo de "se provar um vilão". A não ser por sua extraordinária aplicação em obter progressos pessoais, ele não tinha nenhuma motivação. E esse aplicação em si não era de forma alguma criminosa; ele certamente nunca teria matado seu superior para ficar com seu posto.


 

Para falarmos em termos coloquiais, ele simplesmente nunca percebeu o que estava fazendo. Foi precisamente essa falta de imaginação que lhe permitiu sentar meses a fio na frente do judeu alemão que conduzia o interrogatório da polícia, abrindo seu coração para aquele homem e explicando insistentemente como ele conseguira chegar só à patente de tenente-coronel da ss e que não fora falha sua não ter sido promovido. Em princípio ele sabia muito bem do que se tratava, e em sua declaração final à corte, falou da "reavaliação de valores prescrita pelo governo [nazista]". Ele não era burro. Foi pura irreflexão — algo de maneira nenhuma idêntico à burrice — que o predispôs a se tornar um dos grandes criminosos desta época. E se isso é "banal" e até engraçado, se nem com a maior boa vontade do mundo se pode extrair qualquer profundidade diabólica ou demoníaca de Eichmann, isso está longe de se chamar lugar-comum.


 

Certamente não é nada comum que um homem, diante da morte e, mais ainda, já no cadafalso, não consiga pensar em nada além do que ouviu em funerais a sua vida inteira, e que essas "palavras elevadas" pudessem toldar inteiramente a realidade de sua própria morte. Essa distância da realidade e esse desapego podem gerar mais devastação do que todos os maus instintos juntos — talvez inerentes ao homem; essa é, de fato, a lição que se pode aprender com o julgamento de Jerusalém. Mas foi uma lição, não uma explicação do fenômeno, nem uma teoria sobre ele.


 

Aparentemente mais complicada, mas na verdade muito mais simples que examinar a estranha interdependência entre inconsciência e mal, é a questão relativa aos tipos de crime de que se tratava ali — um crime, além do mais, que todos concordam ser sem precedentes. Pois o conceito de genocídio, introduzido especificamente para cobrir um crime antes desconhecido e embora aplicável até certo ponto, não é inteiramente adequado, pela simples razão de que os massacres de povos inteiros não são sem precedentes. Eram a ordem do dia na Antiguidade, e os séculos de colonização e imperialismo fornecem muitos exemplos de tentativas desse tipo, mais ou menos bem-sucedidas. A expressão "massacres administrativos" é a que parece melhor definir o fato. O termo surgiu em relação ao imperialismo britânico; os ingleses deliberadamente rejeitaram esse procedimento como meio de manter seu domínio sobre a índia.


 

A expressão tem a virtude de dissipar a suposição de que tais atos só podem ser cometidos contra nações estrangeiras ou de raça diferente. É bem sabido que Hitler começou seus assassinatos em massa brindando os "doentes incuráveis" com "morte misericordiosa", e que pretendia ampliar seu programa de extermínio se livrando dos alemães "geneticamente defeituosos" (os doentes do coração e do pulmão). Mas à parte isso, é evidente que esse tipo de morte pode ser dirigido contra qualquer grupo determinado, isto é, que o princípio de seleção é dependente apenas de fatores circunstanciais. É bem concebível que na economia automatizada de um futuro não muito distante os homens possam tentar exterminar todos aqueles cujo quociente de inteligência esteja abaixo de determinado nível.


 

Em Jerusalém essa questão foi discutida inadequadamente por ser de fato muito difícil de captar juridicamente. Ouvimos os protestos da defesa dizendo que Eichmann era afinal apenas uma "pequena engrenagem" na máquina da Solução Final, bem como os da acusação, que acreditava ter descoberto em Eichmann o verdadeiro motor.


 

Eu mesma não atribuí às duas teorias importância maior do que a que lhes atribuiu a corte de Jerusalém, visto que toda a teoria da engrenagem é legalmente sem sentido e portanto não importa nada a ordem de magnitude que se atribui à "engrenagem" chamada Eichmann. Em sua sentença a corte naturalmente concedeu que tal crime só podia ser cometido por uma burocracia gigante usando os recursos do governo. Mas na medida em que continua sendo um crime — e essa é, de fato, a premissa de um julgamento — todas as engrenagens da máquina, por mais insignificantes que sejam, são na corte imediatamente transformadas em perpetradores, isto é, em seres humanos. Se o acusado se desculpa com base no fato de ter agido não como homem, mas como mero funcionário cujas funções podiam ter sido facilmente realizadas por outrem, isso equivale a um criminoso que apontasse para as estatísticas do crime — que determinou que tantos crimes por dia fossem cometidos em tal e tal lugar — e declarasse que só fez o que era estatisticamente esperado, que foi um mero acidente ele ter feito o que fez e não outra pessoa, uma vez que no fim das contas, alguém tinha de fazer aquilo.


 

Claro que é importante para as ciências políticas e sociais que a essência do governo totalitário, e talvez a natureza de toda burocracia, seja transformar homens em funcionários e meras engrenagens, assim os desumanizando. E se pode debater prolongadamente e com proveito o governo de Ninguém, que é o que de fato significa a forma política conhecida como bureaucracia. Mas é preciso entender com clareza que as decisões da justiça podem considerar esses fatores só na medida em que são circunstâncias do crime — como num caso de roubo em que a condição econômica do ladrão é levada em conta sem desculpar o roubo e muito menos apagar sua existência.


 

É verdade que a psicologia e sociologia modernas, sem falar da burocracia moderna, nos acostumaram demais a explicar a responsabilidade do agente sobre seu ato em termos deste ou daquele determinismo. Mas é discutível se essas explicações aparentemente profundas das ações humanas são certas ou erradas. O que é indiscutível é que nenhum procedimento judicial seria possível com base nelas, e que a administração de justiça com base nessas teorias seria uma instituição muito pouco moderna, para não dizer ultrapassada. Quando Hitler disse que viria o dia em que na Alemanha se consideraria uma "desgraça" ser jurista, ele estava falando com absoluta coerência de seu sonho de uma burocracia perfeita.


 

(...)


 

Todos eles [conceitos jurídicos] concordam num ponto: ordens manifestamente criminosas não devem ser obedecidas. A corte, além disso, se referiu a um caso surgido anos antes em Israel: soldados foram levados a julgamento por massacrar habitantes civis de uma aldeia árabe na fronteira, pouco antes do começo da campanha do Sinai. Os habitantes foram encontrados na frente de suas casas depois do toque de recolher militar, de que aparentemente não tinham conhecimento. Infelizmente, a um exame mais minucioso a comparação parece deficiente sob dois aspectos. Antes de mais nada, devemos considerar que a relação entre exceção e regra, que é de primordial importância para reconhecer a criminalidade de uma ordem executada por um subordinado, foi invertida no caso dos atos de Eichmann.


 

Portanto, com base nesse argumento poderíamos efetivamente defender a negativa de Eichmann a obedecer certas ordens de Himmler, ou sua hesitação em obedecer: elas eram manifestas exceções à regra dominante. O julgamento concluiu que isso era especialmente incriminador para o acusado, o que certamente era muito compreensível, mas não muito coerente. Isso se pode ver com facilidade nas conclusões pertinentes das cortes militares israelenses que foram citadas como apoio pelos juizes. E que dizem o seguinte: para ser desobedecida, a ordem precisa ser "manifestamente ilegal"; a ilegalidade "deve tremular acima dela "como uma bandeira negra, como um aviso dizendo 'proibido'".


 

Em outras palavras, a ordem, para ser reconhecida pelo soldado como "manifestamente ilegal", tem de violar, por sua excepcionalidade, os cânones do sistema legal ao qual ele está acostumado. E a jurisprudência israelense concorda nesses pontos com a de outros países. Sem dúvida, ao formular esses artigos, os legisladores estavam pensando em casos como o de um oficial que repentinamente enlouquece e ordena, digamos, a seus subordinados que matem outro oficial. Em qualquer julgamento comum de um caso assim ficaria claro imediatamente que o que foi ordenado ao soldado não foi que consultasse a voz da consciência ou um "sentido de legalidade que existe no fundo de toda consciência humana, até daqueles que não estão familiarizados com os livros de leis [...] contanto que o olho não seja cego e o coração não seja duro e corrompido". Ao contrário, o que se espera do soldado é que seja capaz de distinguir entre a regra e a notável exceção à regra.

(...)

Se aplicarmos todo esse arrazoado ao caso de Eichmann de forma significativa, somos forçados a concluir que Eichmann agiu inteiramente dentro dos limites do tipo de discernimento que se esperava dele: agiu de acordo com a regra, examinou a ordem expedida para ele quanto à sua legalidade "manifesta", sua regularidade; não teve de depender de sua "consciência", uma vez que não era daqueles que não têm familiaridade com as leis do seu país. O caso era exatamente o contrário.

(...)

Resta, porém, um problema fundamental, que está implicitamente presente em todos esses julgamentos pós-guerra e que tem de ser mencionado aqui porque toca uma das grandes questões morais de todos os tempos, especificamente a natureza e a função do juízo humano. O que exigimos nesses julgamentos, em que os réus cometeram crimes "legais" é que os seres humanos sejam capazes de diferenciar o certo do errado mesmo quando tudo o que têm para guiá-los seja apenas seu próprio juízo, que, além do mais, pode estar inteiramente em conflito com o que eles devem considerar como opinião unânime de todos a sua volta.


 

E essa questão é ainda mais séria quando sabemos que os poucos que foram suficientemente "arrogantes" para confiar em seu próprio julgamento não eram, de maneira nenhuma, os mesmos que continuavam a se nortear pelos velhos valores, ou que se nortearam por crenças religiosas. Desde que a totalidade da sociedade respeitável sucumbiu a Hitler de uma forma ou de outra, as máximas morais que determinam o comportamento social e os mandamentos religiosos — "Não matarás!" — que guiam a consciência virtualmente desapareceram. Os poucos ainda capazes de distinguir certo e errado guiavam-se apenas por seus próprios juízos, e com toda liberdade; não havia regras às quais se conformar, às quais se pudessem conformar os casos particulares com que se defrontavam. Tinham de decidir sobre cada caso quando ele surgia, porque não existiam regras para o inaudito.


 

A controvérsia gerada por este livro, assim como a controvérsia, semelhante em muitos aspectos, sobre O deputado, de Hochhuth, revelou o quanto os homens de nosso tempo são perturbados por essa questão do juízo (ou, como se diz muitas vezes, pelas pessoas que ousam "julgar"). O que veio à luz não foi nem niilismo, nem cinismo, como se poderia esperar, mas uma confusão bastante extraordinária sobre questões elementares de moralidade — como se um instinto em tais questões fosse realmente a última coisa que se pudesse esperar de nosso tempo. As muitas notas curiosas surgidas no correr dessas disputas parecem particularmente reveladoras.


 

http://hannaharendt.wordpress.com/2009/10/22/epilogo-eichmann-em-jerusalem-um-relato-sobre-a-banalidade-do-mal-arendt/

sábado, 15 de maio de 2010

Liberdade Liberdade

Vem ver, vem reviver comigo amor
O centenário em poesia
Nesta pátria, mãe querida
O império decadente, muito rico, incoerente
Era fidalguia
Surgem os tamborins, vem emoção
A bateria vem no pique da canção
E a nobreza enfeita o luxo do salão
Vem viver o sonho que sonhei
Ao longe faz-se ouvir
Tem verde e branco por aí
Brilhando na Sapucaí
Da guerra nunca mais
Esqueceremos do patrono, o duque imortal
A imigração floriu de cultura o Brasil
A música encanta e o povo canta assim
Pra Isabel, a heroína
Que assinou a lei divina
Negro, dançou, comemorou o fim da sina
Na noite quinze reluzente
Com a bravura, finalmente
O marechal que proclamou
Foi presidente
Liberdade, liberdade!
Abra as asas sobre nós
E que a voz da igualdade
Seja sempre a nossa voz

O Inferno São Os Outros

Titãs

Composição: Branco Mello / Charles Gavin / Tony Bellotto

O Inferno São Os Outros
Não quero rotina, nem disciplina,
Não tenho hora, pra ir embora
Não vou pro trabalho, não ganho dinheiro
Não ando na moda, não olho no espelho

Não tenho endereço, casa, nome e sobrenome
Não tenho documento, carro, conta e telefone
Se todo mundo acha, que estou errado, eu acho que não
Se todo mundo acha, que estou louco, eu acho que não

O problema não é meu
O paraíso é para todos
O problema não sou eu
O inferno são os outros, o inferno são os outros

Não tenho amigo, nem inimigo
Não me engano mais
Ninguém vive em paz
Não uso relógio
Não escondo a idade
Não ouço conselho
E nem falo a verdade

Não tenho endereço, casa, nome e sobrenome
Não tenho documento, carro, conta e telefone
Se todo mundo acha, que estou errado, eu acho que não
Se todo mundo acha, que estou louco, eu acho que não

O problema não é meu
O paraíso é para todos
O problema não sou eu
O inferno são os outros, o inferno são os outros





Textos 2º ano


1. Conceito de Liberdade

Apesar de todos os condicionamentos, o homem é um ser livre, pois em última instância é sempre ele que decide agir ou não.

-. Sendo livre pode decidir ajustar-se ou não às regras sociais que encontra. Pode realizar ou não actos que constituem verdadeiras rupturas com os condicionalismos e as solicitações externas ou internas (Liberdade de).

-Sendo livre toma decisões que têm como objectivo responder à sua necessidade de realização pessoal, em conformidade com o seu próprio projecto de vida (Liberdade para).

Mas o que se entende por liberdade? - Designa a capacidade que todo o homem possui de actuar segundo a sua própria decisão.

2.Pressupostos da Liberdade

A liberdade implica:

-Autonomia do sujeito face às suas condicionantes. Embora o homem esteja sempre condicionado por factores externos e internos, para que uma acção possa ser considerada livre é necessário que ele seja a causa do seus actos, isto é, que tenha uma conduta livre.

-Consciência da acção. A acção humana é a manifestação de uma vontade livre e portanto consciente do seus actos. Este pressuposto implica que o sujeito não ignore a intenção, os motivos e as circunstâncias, assim como as consequencias da da própria acção. Pressuposto que está todavia longe de estar sempre satisfeito.

-Escolhas fundamentada em valores. A acção implica sempre a manifestação de certas preferências, implicando o homem nessa escolha. Nem sempre contudo, esta dimensão da liberdade é consciente, embora seja sempre materializada na própria acção.

3.Formas de Liberdade

- Liberdade interior: autonomia face a si mesmo (Liberdade psicológica) e de agir segundo valores livremente escolhidos (Liberdade Moral)

- Liberdade Exterior: autonomia face à sociedade (Liberdade sociológica) e de exercer os direitos básicos de qualquer cidadão (Liberdade Política).

4. Responsabilidade

A liberdade é inseparável da responsabilidade, pois aquele que reconhece como suas determinadas decisões, tem que igualmente reconhecer e assumir as consequências e os efeitos das mesmas. Este será uma assunto que desenvolvermos em detalhe quando abordarmos, em detalhe, a dimensão ética do agir.

5. Individualização

Embora o homem não seja livre de escolher o que lhe acontece, é todavia livre de responder desta ou daquela forma ao que lhe acontece (F. Salvater).

É nestas escolhas que o homem faz que define a sua individualidade, personalidade. As opções que tomamos ao longo da vida é que nos diferenciam. É por elas que somos julgados e avaliados nas nossas condutas. Aquilo que somos manifesta-se portanto naquilo que fazemos.

Carlos Fontes

afilosofia.no.sapo.pt/10accao3.htm

Críticas 1º ano

Ridley Scott filma Robin Hood político e restitui força do herói

Com liberdades em relação à história, diretor trata o nascimento do mito com ênfase para as cenas de batalha

ALEXANDRE AGABITI FERNANDEZ
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

E ncarnação da justiça social, símbolo da revolta dos fracos contra os poderosos, o mito medieval de Robin Hood foi muito parodiado no cinema, quando não literalmente ridicularizado. É o que acontece em "Os Aventureiros do Tempo", de Terry Gilliam (1981), ou em "Robin Hood - O Príncipe dos Ladrões" (1991), de Kevin Reynolds, com Kevin Costner na pele do justiceiro. Diluída, a lenda recupera força pelas mãos de Ridley Scott. O filme fala mais do nascimento do mito do que do próprio. Para isso, toma algumas liberdades em relação à história.
A mais importante, e que está na origem de todas as outras liberdades, é fazer Ricardo Coração de Leão, rei da Inglaterra, perecer no retorno da Terceira Cruzada, durante o cerco a um castelo na França. O roteiro também muda algumas coisas na lenda. A tradição reza que Robin de Locksley é um fidalgo. No filme, Robin (Russell Crowe) tem o sobrenome Longstride e é um humilde arqueiro a serviço do rei Ricardo (Danny Huston).
Depois de algumas peripécias, ele assume a identidade de Sir Robert Loxley (Douglas Hodge), cavaleiro real morto enquanto levava a coroa de volta à Inglaterra. Fingindo ser Loxley, Robin acaba entregando a coroa ao inepto João sem Terra (Oscar Isaac), irmão de Ricardo, que se torna o novo soberano. Em seguida, vai a Nottingham, terra do verdadeiro Loxley, e acaba vivendo com a mulher deste, Lady Marian (Cate Blanchett). O Robin Hood revisto por Ridley Scott vai se tornando cada vez mais político à medida que a narrativa avança.
Ele não é ainda "aquele que rouba dos ricos para dar aos pobres", mas é descrito como arauto da causa democrática, em luta contra os poderes instituídos -sejam eles o corrupto xerife do condado ou o próprio João sem Terra. Este aumenta os impostos a ponto de condenar boa parte da população à fome; trai a Magna Carta, que o impedia de exercer o poder absoluto, e leva a Inglaterra à beira da guerra civil.
Como de hábito, Scott mostra gosto por cenas de batalha. A melhor é a do cerco de Ricardo ao castelo, com lançamento de líquidos viscosos ferventes e corpos caindo das torres. A menos convincente é a do combate final, em que o Exército francês é vencido ao desembarcar na Inglaterra. A chuva de flechas é perfeita demais para ser verossímil, a montagem fragmenta excessivamente os movimentos e o espaço, e a presença de Lady Marian -com armadura- só serve para que Robin a salve, adoçando o austero romance.


ROBIN HOOD

Direção: Ridley Scott
Produção: EUA/Reino Unido, 2010
Onde: nos cines Bristol, Center Norte Cinemark e circuito
Com: Russell Crowe, Cate Blanchett
Classificação: 14 anos
Avaliação: bom

Rodrigo Fonseca
O Globo | 15:15h | 29.ABR.2010
Vulcão 3-D de licença poética‘

‘Alice no País das Maravilhas’ substitui a menininha indefesa da versão animada dos estúdios Disney de 1951 (que sedimentou a personagem de Lewis Carroll no imaginário cinéfilo) por uma Joana d’Arc impávida, cuja gana guerreira vem do talento da atriz australiana Mia Wasikowska. Tal releitura — que vem ouriçando o conservadorismo da crítica — comprova o pecado cometido por Timothy William Burton: o pecado da autoralidade. Abençoada seja!
É zero a subserviência do diretor de “Ed Wood” à fauna de Carroll — compreensível quando se trata da filtragem de um autor por outro. Há fusões e reduções de personagens e plots dramáticos nesta revisão burtoniana dos livros “Através do espelho” (1871) e “Aventuras de Alice no País das Maravilhas” (1865). Da revisão, brota um vulcão multicolorido, realçado pelo 3-D, que deixa evidente o único rasgo de fidelidade do cineasta à matéria-prima: vem de Carroll a necessidade de impor o nonsense ao realismo. Daí os exageros — e as licenças poéticas — de um filme que tem no Chapeleiro Maluco (o bruxo Johnny Depp) um arlequim triste. Triste por perceber, no contato com Alice, sua própria inadequação a um mundo onde a falta de regras não aplaca solidões.

Érico Reis
O Globo | 15:13h | 29.ABR.2010
Uma história lisérgica demais

O.k., este Bonequinho admite sua total incapacidade de decifrar charadas filosóficas e psicológicas contidas na obra de Lewis Carroll. Esperava que Tim Burton, diretor de obras de visual e proposta requintados como a animação “A noiva-cadáver” lançasse luz nos enigmas propostos por Carroll. Mas as adivinhações e paralelos formulados pelo escritor inglês não ficaram claros. Burton não buscou fidelidade nos dois livros de Charles Dodgson, nome verdadeiro de Lewis Carroll: “Aventuras de Alice no País das Maravilhas” e sua continuação, “Através do espelho”.
A infidelidade começa com a protagonista (Mia Wasikowska), que, no filme de Burton, tem 19 anos, não é mais uma garotinha, e volta a um mundo fantástico ao cair numa toca de coelho, onde reencontra amigos como o Chapeleiro Maluco (Johnny Depp) empenhados em se defender da déspota Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter).
Visualmente, o filme é impecável, valorizado pelo formato 3-D e por efeitos visuais de primeira. O elenco, com destaque para Helena, impagável no efeito que lhe aumenta a cabeça, também está bem. Mas apesar (ou por causa) de Tim Burton, a história segue lisérgica demais.

http://rioshow.oglobo.globo.com//eventos/criticas-profissionais/alice-no-pais-das-maravilhas-2191.aspx

Atenção a este tema: Web tem guerra eleitoral suja

*Matéria do iG bem legal. Importante pq td dia a gente tem cx de mails invadida por tranqueiras contra Lula, Dilma e Serra. Escolha seu voto com base em informações, não em fofoca. E, mesmo assim, selecione as fontes de suas informações.

Guerra suja eleitoral acontece na internet

Facilidade de acesso e a sensação de anonimato permitem que centenas de pessoas publiquem elogios e acusações sobre candidatos

Nara Alves, iG São Paulo | 14/05/2010 19:34

A baixaria eleitoral ganhou definitivamente sua versão 2.0. As campanhas presidenciais e simpatizantes de Dilma Rousseff e José Serra travam uma verdadeira guerra suja digital. Com dois agravantes: a facilidade de acesso e a sensação de anonimato. Se no mundo analógico seria quase impossível um cidadão comum publicar uma coluna no jornal ou exibir sua opinião na televisão, na internet qualquer pessoa pode fazer isso a qualquer momento. E, ainda, sem se identificar. Em poucos minutos, uma informação – verdadeira ou falsa – navega de um blog a outro, invade redes sociais e caixas de email, atingindo potencialmente os 65 milhões de internautas, metade do eleitorado brasileiro.

Diferente das eleições anteriores, a área de internet não está subordinada à coordenação da campanha tucana nas demais mídias, como rádio e TV. Neste ano, há uma equipe independente, não subordinada ao marqueteiro Luiz Gonzalez, liderada pelo cientista político Eduardo Graeff, também tesoureiro da campanha. O PSDB estima que haja cerca de 150 blogs considerados pró-tucanos, ou seja, que existam para reforçar a convicção de quem já pretende votar em candidatos do partido. Outros 150 blogs seriam anti-petistas, segundo Graeff.

Um exemplo de blog anti-petista é o “Eu não quero Dilma Rousseff presidente do Brasil”, que nasceu a partir de uma comunidade na rede social Facebook. O criador da página se apresenta como Flavio Ortigao, um carioca formado em bioquímica e microbiologia técnica sem ligação partidária formal com o PSDB. Em um dos posts publicados no blog, Ortigao diz: “No Brasil, uma candidata representando um grupo político com uma visão totalitária ameaça as liberdades individuais, o direito de propriedade e a liberdade de expressão. Nós, os amantes da liberdade, rejeitamos isso”.

As hostilidades atingem tucanos no mesmo grau. O blog “Tia Carmela e o Zezinho”, registrado como “Bye-bye Serra”, usa a sátira para atacar José Serra. O blog faz a seguinte pergunta: Para onde Serra deve ir depois de perder a eleição novamente em 2010? Mais de mil pessoas já votaram na enquete. O autor da página não se identifica, mas na descrição explica que “o escárnio aqui realizado destina-se a fazer humor e não pretende prejudicar ninguém que não mereça”.

Graeff atribui os ataques online contra Serra a “soldados do PT, sindicatos e ONGs aparelhadas”. Segundo ele, essas páginas já disseminaram sete mentiras sobre o candidato tucano. “Dizem que Serra não gosta de nordestinos, que vai acabar com o Bolsa Família, que ele é contra a Zona Franca de Manaus, que vai suspender concursos públicos, arrochar salários dos funcionários, tirar direitos desta ou daquela categoria, e privatizar o Banco do Brasil, a Petrobras, o Pão de Açúcar e o lado brasileiro das Cataratas do Iguaçu”.

Para rebater as mensagens disseminadas pelos blogs, Graeff criou o “Gente que mente”. Na descrição, o partido esclarece que “esse blog foi criado pelo PSDB e é administrado por um grupo de colaboradores do partido. O nosso objetivo é combater o uso da mentira como arma política”. Na lista de mentiras apontadas pelo blog estão, principalmente, declarações de Dilma Rousseff e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre obras e projetos do governo petista.

No fim de abril, o PT ingressou com duas representações contra o PSDB por considerar o site um ataque à honra da pré-candidata petista. “É uma campanha suja contra Dilma”, diz o deputado José Eduardo Cardozo (SP), secretário-geral do PT e um dos coordenadores da campanha de Dilma. Um dos exemplos de agressão dado pelo deputado é a frase “Dilma, só fraude explica”, divulgada pelo site. Uma das representações foi protocolada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e acusa os tucanos de propaganda negativa e antecipada. Se o PSDB for condenado, terá que pagar multa de 5 mil reais a 25 mil reais, além de retirar o conteúdo do site. A segunda, criminal, junto à Procuradoria Geral da República, tem como alvo Eduardo Graeff. A pena para o crime vai de um a seis meses de detenção, além de multa.

De acordo com Graeff, a audiência do “Gente que mente” aumentou em dez vezes após as representações. Além deste, o dirigente tucano registrou outro domínio anti-petista. O site “Petralhas” foi registrado pelo Instituto Social Democrata, criado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e está inativo.

Manuais anti-Dilma e anti-Serra

As duas campanhas montaram centrais de produção de informações para abastecer os parlamentares e lideranças envolvidas no debate da sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os governistas recebem emails com a reprodução de artigos e análises publicados pela mídia em defesa da pré-candidata petista e do PT e de ataques ao adversário. Nos emails dos deputados da base aliada, é comum o recebimento de matérias criticando a cobertura da imprensa, considerada sem equilíbrio.

Na oposição, uma linha da estratégia é orientar os parlamentares para apresentação de discurso afinado de temas relevantes da semana. Via e-mail, integrantes do PSDB, DEM e PPS receberam “papers” com sugestões de argumentos a serem explorados em entrevistas. O texto foi atribuído a Luiz Gonzalez, que nega a autoria.

http://ultimosegundo.ig.com.br/eleicoes/guerra+suja+eleitoral+acontece+na+internet/n1237619468787.html